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Desatenção às jovens e adolescentes é omissão grave

Por Marisa Viana, Resurj

A partir de segunda-feira,   nas Nações Unidas em Nova York, diplomatas e ministros se reunirão para ultima fase das negociações sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas metas e a Declaração Política Pós 2015. O coletivo RESURJ (Realizando a Justiça Sexual e Reprodutiva e Reprodutiva) ao longo de três anos tem participado ativamente do processo e, juntamente com feministas e ativistas de direitos humanos e igualdade de gênero do mundo inteiro, temos lutado para avançar de essa agenda do Pós 2015 seja realmente transformadora. Para nós isso significa compromisso politico e financeiro para combater as desigualdades fundamentais entre pessoas e a iniquidades entre países; e também a implementação de uma agenda de desenvolvimento baseada em direitos humanos e centrada nas pessoas, particularmente nas mulheres e adolescentes.

A Declaração Política em debate trata de questões  importantes tal como erradicação da pobreza extrema, proteção do planeta,  construção de sociedades pacíficas , justas e inclusivas. Mas para realmente ser transformadora a ponto de garantir um tipo de desenvolvimento   sustentável, o texto atual da Declaração precisa ir além e reafirmar a proteção e realização dos direitos humanos de todas as pessoas sem qualquer forma de discriminação, inclusive discriminação com base em identidade de gênero e orientação sexual. A Declaração deve também especificar acordos e convenções sobre direitos humanos como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formação de Discriminação e Violência contra a Mulher; o Plano de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (Cairo), a Declaração de Beijing, suas revisões e seguimentos entre outros.

Para nós do RESURJ está claro que a transformação do sistema atual de desigualdades que vivemos não será alcançada se não mudarmos a narrativa de crescimento econômico para focar no compromisso com o desenvolvimento sustentável, que vai além do mero aumento dos PIBs. Se não houver real compromisso para rendição de contas e transparência dos processos, não somente para o setor privado, mas também do estado para com os seus cidadãos e cidadãs, essa agenda tão ambiciosa não passará de retórica.

Finalmente, nossa grande preocupação com a agenda é a falta de atenção e compromisso com os adolescentes e jovens, em particular com as meninas pois está claro que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável não serão alcançados até 2030 sem os investimentos adequados na saúde, no desenvolvimento e nos direitos humanos de adolescentes e jovens ao longo das décadas futuras.

Sem abordar esses temas fundamentais, a Agenda Pós 2015 não terá nada de transformadora ou ambiciosa como temos ouvido nos últimos três anos, e os governos estarão meramente renovando promessas feitas sob os ODM, há quinze anos atrás.

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